terça-feira, 15 de novembro de 2011

"Linhas paralelas se encontram no infinito?" (CFA)

Existo eu cá, e você lá.
Muitas vezes eu por aí, e você aqui.
Mas neste vai e vem, onde nos encontramos?
Pronta para partir, estou na estação, ao longe os apitos anunciam a vinda do trem, o dia está nublado e ele surge ao longe interceptando um raiozinho indiferente de sol. Respiro fundo, finalmente, já estava bem atrasado... Embarco e sento ao lado da janela, gosto de ficar perto de janelas, principalmente quando estão abertas, mas neste dia de inverno elas estavam fechadas e achei melhor conservar assim, não queria incomodar quando você sentou-se ao meu lado e parecia estar com muito frio. Acomodou-se e instintivamente olhamo-nos e na constatação do rosto eu vi você, meu amor. Sorrimos, olhos nos olhos, paramos estarrecidos, embevecidos com nosso reencontro. Destino, coincidência, forças cósmicas que se movem impulsionando a união de seres com ligação transcendental? Meu Deus, quanto tempo se passara e tudo voltou a transbordar dentro de mim, me levando a conclusão de que nada passou a não ser o próprio tempo.
Então, sem precisar usar palavras, como que em agradecimento àquela viajem, àquele encontro, nos abraçamos demoradamente e esquecemos as horas, as tristes horas que nos separaram e nos fizeram outrora ter que dizer adeus.
O sol se impôs e eu abri a janela, você quis sentir comigo o frescor do vento que por ela entrava. 
Na chegada não houve despedidas, descemos juntos e de mãos dadas caminhamos na mesma direção... E assim percorremos os caminhos sinuosos do restante de nossos dias...
Quantas chegadas e partidas ainda teremos que viver antes de embarcarmos no mesmo trem?

Thamára M.


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