sábado, 3 de dezembro de 2011

Lembranças de infância (26/11/11)



Hoje o dia está nublado, em dias assim me dá certo saudosismo, vontade de pegar a estrada com os vidros do carro abertos deixando o vento entrar.
Tive oportunidade de fazer isso hoje, mesmo que por apenas 15 minutinhos, mas foi o bastante pra me trazer lembranças de infância...

Eu tinha por volta de 9 anos quando num feriado prolongado fui passear em uma fazenda do tio de um tio meu, fomos em família e com alguns amigos. A ida foi ótima, estrada de chão, fui na carroceria de uma camioneta, rindo à bessa, limpando o nariz cheio de poeira...

Quem tomava conta da fazenda era um caseiro com sua esposa e dois filhos do casal, todos muito prestativos. A casa da sede era ampla, tinha um lindo pomar, grama na frente e uma bela vista para as pastagens. Apesar de não ter rio, tinha cavalos.

Quando criança, ao saber de alguém conhecido que morava na "roça" ou ser convidada para um passeio rural, eu fazia questão de saber se na fazenda tinha rio e cavalos, sempre gostei de cavalos, aliás, sou apaixonada por animais em geral, e mesmo apesar de ter um pouco de medo, os equinos sempre me encantaram. Lembro que bem pequenininha (com uns 3 anos), passeando numa éguinha com um amigo da família, o Barroso, perguntei a ele se existia perfume de égua à venda, pois eu gostava muito do cheirinho, ele deu uma gargalhada e respondeu que iria dar um jeito de engarrafar pra mim...

Outro encantamento meu, aviso que tenho muitos, é água, adoro rio, cachoeira, mar, já tomei muito banho de chuva, com 4 anos aprendi a nadar, graças a meu pai, que me levava pra tomar banhos de rio matinais, ele tem esse costume até hoje. Bem, eu sou do interior, cidadezinha pequena, onde todos se conhecem, ao menos de vista, a cidade é banhada por dois rios, limpos, por aqui ainda se tem certos costumes e prazeres alheios aos grandes centros urbanos... Então, tinha cavalos, na verdade, duas éguas, um cavalo e uma mula esperta, meio arredia.

Quando chegamos da viajem já era tarde e minha vontade teve que ficar pro dia seguinte. À noite, depois dos contos mal assombrados, sobrou pra eu dormir na parte de cima do beliche, não foi nenhum grande sacrifício, em beliches prefiro a cama do alto, mas meu irmão não perdeu a oportunidade dizendo que o primeiro pescoço que o vampiro iria chupar era o meu, pois estava perto do teto e da janela, dormi coberta da cabeça aos pés, rezando para amanhecer logo.

De manhã, antes de tomar café fui ver a ordenha no curral, em cima da porteira, é claro, meu medo de gado não me permitia contato direto. Depois fui avisada que iriam selar os cavalos. Devo informar que minha empolgação era infinitamente maior que minha prática e convívio cavalar, aliás, eu tinha andado à cavalo, sozinha, apenas uma vez antes desse passeio e bem devagarinho (em outro momento conto como foi tal experiência, assim como surgiu o medo de "boi").

Cavalo selado, lá fui eu, perguntei se era mansinho e montei, sem ajuda. Primeiro fiquei dando umas voltinhas no quintal, depois pediram que eu fosse buscar pratos na casa do caseiro, peguei a estrada, o cavalo trotou, achei gostoso, cheguei na casa do caseiro e logo atrás chegou uma amiga montada na égua castanha, o cavalo era inteiro, ai que ficou todo fogoso, começou a relinchar e partiu rumo à égua, eu me assustei, não consegui freá-lo, decidi pular, caí de cara na lama, estômago no chão, fiquei sem respirar, achei que fosse morrer... Me deram água com açúcar, consegui soltar o ar: - Nunca mais monto em cavalo inteiro!

E assim foi, no dia seguinte eu montei na égua branca, fui cavalgar pelas pastagens, e já bem longe, debaixo de uma árvore, paramos um pouco, então eu pensei em voltar e instintivamente a égua pegou o caminho de volta, eu deixei as rédeas soltas e ela correu em galopes... Ahhh, nesse momento eu senti uma felicidade e liberdade inigualáveis, imensuráveis...
Me bateu uma saudade...

Thamára M.



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